21 Julho 2004     


4 - Toque

Num computador da loja, eu e ela conversamos um pouco para esquecer o baixo fluxo do comércio pela rua; decidimos criar alguma coisa, como uma história. Passam-se os minutos e não se chega em conclusão nenhuma.
Entretanto, algumas linhas já são escritas compondo um bonito cenário:

"O dia estava muito bonito..."

- Bem que o tempo poderia ficar quente pra ficar bonito! - eu dizia, suspirando.
- Algo pra escrever? - Ela perguntou.
- Sem idéia nenhuma.
- Um passarinho poderia percorer em nossos ouvidos!
- Ops, só um minuto!
Começo a escrever, e logo surge isto:

"O dia estava muito bonito, mas não para aquela moça que andava triste pela rua. Chorava de dor ao saber que seu grande amor partira para um rumo sem volta. E num banco, atônita, não sabe o que pensar ou fazer a não ser chorar deitada no banco da praça..."

- Fê, isso está triste.
- Só me apareceu essa idéia. O que fazemos agora?
- Vamos continuá-la.
- De que jeito?
Ela se senta na cadeira, e escreve mais um pouco:

"...Aquele sol radiante começava a ofuscar seus olhos de maneira perigosa. Ela decide-se levantar e perambula mais um pouco, arrastando aquele buqu~e de lírios, que se arrastavam pelo chão.
Seu desespero era tão grande que não viu aquele carro que corria a mais de cento e vinte por hora. O som dos freios irrita os ouvidos daqueles que estavam por perto. Infelizmente, o sangue da moça jorrava por toda a rua..."

- Nossa! hoje você está cruel, hein! Depois eu é que sou o trágico aqui!
Coemçamos a rir incontrolávelmente, e ela disse:
- Foi você que começou de uma maneira que a história acabasse rápidamente.
- Precisamos abrir mais esse leque de informações...
Logo parei, pensei, e perguntei:
- Por quê você quis colocar aquele buquê se arrastando pelo chão?
Um minuto de silêncio passou pela loja. Pelos olhos dela, é como se eu tivesse tocado em alguma chaga dela. Tentei quebrar aquele gelo com algumas palavras, sentei-me na cadeira e digitei algumas palavras:

"...Muitos entendiam aquela cena como um belo dramalhão teatral.Outros nem se peocupavam se aquilo parecia com uma cena ou não, e trataram logo de chamar uma ambulância para socorrê-la. Ninguém sabia quem ela poderia ser, ou por que ela estaria carregando aquele buquê de lírios.
Logo, aquela moça foi socorrida pelos paramédicos. O homem que havia chamado a ambulância decidiu aguardar notícias da tal garota dentro do hospital, segurando o buquê de flores que o deixava intrigado ..."

- Agora estamos melhorando - Disse ela.
- Pelo menos já intrometemos mais um personagem, e um terrível suspense.
- Terrível!? Quer colocar um assassinato aqui?
- Não, essa quantidade de sangue já basta.
O mais estranho é que ninguém aparecia na loja faz um bom tempo. A placa de "aberto" estava bem visível na porta da loja. O frio intenso, que circulava pela rua poderia ter espantado os clientes. Não havia uma vivalma na rua para contar uma história.
Ela se levanta, abre a porta, e verifica o movimento na rua. Ao olhar para a esquina, fecha a porta de maneira brusca.
Ao ouvir aquilo, fui ver o que acontecia, e fiquei supreso ao saber que ela não estava mais dentro da Loja. Saio para procurá-la, mas não a encontro. Vou até a casa dela, onde ninguém parecia dar bola aos meus apertos insistentes da campainha.
Comecei a me preocupar. Percebi que a históia que criamos dentro da loja a deixara infeliz com alguma coisa. Lembrança de alguém? Fato que eu não conhecia? O que poderia ser?
Algo me dizia que eu precisava abrir um pouco mais minha amizade com ela, e não me preocupar em continuar uma história. Voltei para a loja, desliguei o computador, e fiquei no balcão tentando ligar pro celular dela.
Estava fora de área.
Pensei em algum lugar onde ela poderia estar, entretanto a minha amizade com ela ainda estava pequena demais. Precisávamos ampliar um pouco aquela amizade.
Eu realmente estava preocupado.

:: Escrito por Fellipy | 22:50 ::



11 Julho 2004     


Um casal, deitado e sua cama (não entrarei em maiores detalhes), assistia a TV.
- Ei! O que aquela Loja de Conveniência faz no Programa do Rafinha*?
- Sei lá!
- Depois perguntamos pro Fellipy amanhã.

* Detalhe: a Loja de conveniência apareceu mesmo no Programa do rafinha. Quem quiser saber mais, assista o programa de 10/07 na Alltv (precisa estar cadastrado no site para fazer isso, mas não custa nada =D)

:: Escrito por Fellipy | 07:59 ::



     


3 - Tempo que passa

Ao mesmo tempo, estava feliz e surpreso por receber uma carta dela; porém, o que havia me deixado espantado realmente eram as seguintes linhas da tal carta: "Atenção, me espere pois eu estarei chegando na sua loja!".
Fora este o principal motivo para comprar uma rosa na floricultura da esquina. Estava muito alegres por saber que uma amiga tão esperada estava chegando a qualquer momento de sua cidade natal.
O tempo passou, e até os fregueses notavam esse pequeno detalhe que me fazia trabalhar com mais motivação. Cada minuto que passava era uma verdadeira alegria.
Comecei a planejar os pimeiros planos: cinema, teatro, passeio, boliche...Qualquer coisa que valesse a pena. Liguei para os amigos para saberem se estariam disponíveis nos próximos dias.
Em alguns minutos todos os planos estavam preparados para ela escolher. O único detalhe que faltava para tudo isso acontecer era a chegada dela =D
O tempo passou, passou...e ao mesmo tempo minha ansiedade aumentava. Começava a pensar sealgo pudesse ter acontecido durante a viagem. "talvez ela deva estar arrumando suas coisas" pensei, tentando encontrar uma justificativa de sua demora.
Ela demorou...O tempo passava cada vez mais, minha cabeça estava totalmente lotada da mais pura ansiedade.
Sabe aqueles momentos em que você espera que tudo aconteça da melhor maneira possível? Seu coração bate mais rápido, seus pensamentos são os mais otimistas possíveis, sua cabeça não para de sonhar por um minuto(e isso até me atrapalhou na hora de fazer uma casquinha de sorvete a uma freguesa).
Sempre olhava pro relógio, e depois olhava pra porta...Ela já estava demorando mesmo. Liguei para casa dela, pois algum imprevisto poderia ter acontecido; o telefone toca durante bom tempo: sinal de que ela não estaria em casa.
A ansiedade já estava em níveis perigosos. Os pensamentos otimistas começavam a se tornar pessimistas. Anoitecia. Os principais estabelecimentos começavam a fechar naquela rua. Em poucos minutos, minha Loja deconveniência era a única da rua que ainda funcionava.
Tentei ler algo para relaxar, e me assustei quando pensei ter lido uma notícia de acidente onde ela estava envolvida. Eu precisava me acalmar de qualquer forma.
A porta abria...Poderia ser ela. Minha ansiedade tornava meus pensamentos otimistas. "Ela chegou", pensava. Pulei de alegria...Mas não era ela. Era a Menina, que estrava toda essa felicidade. ao olhar toda aquela cena, a garota diz:
- Precisa acalmar essa ansiedade! Quer sair?
- Não! Obrigado, estou esperando uma pessoa.
- Também preciso ir, qualquer coisa me liga! Sempre estarei disponível.
Fui na rua sentir o cheiro do ar puro, pois talvez uma boa respiração poderia me acalmar. Ao sentir o cheiro de chuva, logo voltei à loja.
Já eram quase 22h00; já não haviam mais pensamentos otimistas. Decidi então fechar a loja, triste, decepcionado e desabado. Segurei a rosa, pensado na tão sonhada chegada dela. Os primeiros pingos já marcavam a janela.
As luzes já estavam apagadas, e alguém bate na porta. Já mais realista, pensei que poderia ser uma pessoa que precisava de algo urgentemente. Pego minha capa de chuva e vou para a porta.
Meu estado de supresa era explícito ao ver que era ela, toda molhada, ofegante e olhando para mim. A convidei a entrar na loja. Abraçamos, conversamos e esperamos a chuva passar.
Agora tudo ppoderia dar certo. Nem as leis de Murphy poderiam acabar com aquele momento.
Meia-noite. Loja de Conveniência fechada, e nós dois comentávamos sobre a viagem dela. enquanto isso, entreguei-lhe a rosa com um cartão de boas-vindas. Agora entendia o poquê dela ser chamada de Nobre Dama das Rosas.
Enquanto isso, os pingos de chuva ainda caiam na rua.

:: Escrito por Fellipy | 07:25 ::



07 Julho 2004     


2 - Uma Menina

Todos os dias são calmos aqui nessa Loja, exceto naqueles dias em que Ela aparece.
E ontem ela apareceu; abriu a porta, começou a observar os produtos, com certa indecisão para comprar. Na verdade, não parecia que queria comprar algo, mas tinha algo para falar comigo, como sempre faz ao aparecer aqui.
Nossas conversas costumam acabar em conclusões perigosas (deve ser esse o motivo em que eu costumo evitá-la). Da última vez, senti um grande amor por ela, mas acabei descobrindo que ela não era real, era só a Menina: uma verdadeira imagem absorvida do cotidiano.
Ao descobrir a verdadeira fonte dela, acabei me distanciando completamente. Por não ser uma pessoa, ela costuma absorver energia para tentar ser uma.
Infelizmente, já fui uma fonte dela, onde o resultado ora uma fora uma enorme crise de depressão.
Como sempre, ela utiliza algum apetrecho provocante para poder ser sua amiga, e começar a absorver aos poucos a energia necessária para sua sobrevivência. E ontem não foi diferente: seus cabelos vermelhos costumava chamar a atenção daqueles que estavam próximos a ela.
Ao pegar um daqueles livros de auto-ajuda amorosa (como "Bianca", "Júlia" e outras mais), vai até ao bal~cão e começa a puxar um assunto:
- Hoje vai fazer uma noite bonita, né?
- Ao que parece sim.
- Algo para fazer?
- Apoveitar essa noite para Observar o céu.
- Ah! Deve ser muito massa passar a noite desse jeito
- Da última vez que te levei parecia que você queria sair de lá por qualquer coisa.
Nesse momento, um silêncio ecoa por todos os cantos da Loja de Conveniência. Nem o pássaro que construia um ninho na janela piava.
- Ainda está chateado? - pergunta a Menina, cinicamente.
- Ainda estou me recuperando daquela época...
- Qualquer coisa ainda estou sempre livre para onversas.
- Ok! Te ligarei quando puder - falei da maneira mais cínica possível.
- Só queria te dizer que não sou tudo aquilo que você imaginou ser. Não se esqueça que eu ainda quero viver uma vida normal.
E então ela saiu da loja.
Tudo voltou ao normal e continuei a observar todas as coisas que aconteciam na rua. Comecei a relembrar a época em que eu sentia algo de especial pela Menina que sempre vinha na loja.
Quando um casal se beijou em frente a vitrine, senti certa inveja. "Ela era especial" disse para mim mesmo, lembrei das épocas boas, que me consumiram completamente.
Comecei a imaginar em todas as loucuras feitas por ela, e lembrei que algumas dessas loucuras valeram a pena. Se ela fosse real, até podia existir algo entre nós; mas o problema é que não existem gênios da lâmpada, muito menos estrelas cadentes que realizam desejos...

:: Escrito por Fellipy | 08:07 ::



02 Julho 2004     


1 - Loja aberta! Entre e fique a vontade!

Desde criança aprendemos a utilizar o dinheiro ganho de cada dia, pode ser através da observação dos pais ou até jogando Banco Imobiliário, Jogo da vida e outros mais...
Cada vez mais o mundo depende da fabricação de produtos, como assim dizem os primórdios do Capitalismo e das Revoluções Industriais.
Quanto mais as indústrias correm para criar pdrodutos e deixar o ser humano mais tranqüilo, a população cresce numa aceleração quase que semelhante. Empresários aumentam seus parques industriiais só para uma população inteira poder consumir de maneira igual.
Em nossa história, só tivemos uma ocorrência de que a produção foi mais veloz que a população, gerando a grande Crise de 1929, onde havia produto paracomprar, e gente sem dinheiro para gastar.
A vida em que hoje vivemos serve para consumir o pão produzido a cada dia, com uma grande variedade de produtos: desde o pãozinho francês até as maravilhosas baguetes.
Sem querer, acabamos virando escravos de um consumo excessivo. Temos infinitas variedades de produtos, mas pouco dinheiro para gastar nos mesmos. É um grande dilema que a atual sociedade enfrenta. Se, ao ler este trecho, falar que você não é vítima disso, comemore então com um grande rodada de seu produto favorito!
Muitas pessoas até lutam para que "as pessoas possam comprar seu produtos com tranqüilidade" (Palavras de um político famoso!), para que suas empresas não abalem um planeta inteiro. Voltamos aquele lema dos mosqueteiros: "Um por todos, e todos por um!"; o problema é que não lutamos pela igualdade, mas pelo liberalismo de consumo.
Produzimos, consumimos, expelimos...Algo pareceestar faltando para que o ciclo se feche.
Muitos até encontraram o elo de ligação, mas se caso for empregado, estaremos derrubando grandes empresas da atualidade. Grande exemplo pode ser visto nos popularescarros a hidrogênio, que se forem implantados agora, as maiores empresas petrolíferas entrarão em crise. E nós sentiremos o resultado em pouco tempo.

Será que essa loja de Conveniência poderá suprir uma infinita variedade de consumidores massivos que passarão por aqui? A única conclusão só pode ser vista através da observação.
Pelo jeito passarão casais apaixonados em busca do cartão perfeito para seu aniversário de namoro, ou então aquelas pessoas que ficam de joelhos para nós por um pequeno copo de Coca-Cola (esses aparecerão em grande escala), sem contar aqueles homens super sigilosos que compram os produtos que geram repercussões regionais na sociedade machista.
Vamos colocar a placa "aberto", e esperar resultados bons ou ruins. Os meses de prática me levaram a ser um razoável observador, que encontrou semelhanças entre o homem e o céu: os dois possuem histórias para contar. Aliás, o que exiustem de histórias nesses dois campos é incrível.

Então! Seja Bem-vindo a esta pequena loja de Conveniência, onde teremos diferentes variedades de Cotidiano para seu consumo de leitura!

:: Escrito por Fellipy | 00:25 ::



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Sobre o blog
Diversos nomes foram cogitados para colocar neste blog: Loja de Conveniência, Ironias da Poesia 2.0, Diário de divagações... Mas, após tanta indecisão, foi melhor colocar um título mais simples, como o próprio endereço do blog. E não é que ficou legal? d=^DX*


Perfil do autor
Fellipy
18 anos
Santos => São Carlos/SP
Gosto de ler, escrever, vagabundear,estudar, etc e tal!
Adorador de astronomia, física e ciências exatas
Iniciando a luta para obter a carreira de físico na UFSCar
Música: Kid Abelha, Paralamas do Sucesso, Beatles, Belle & Sebastian, Phosphurus, Anna Vissi, Rádio de Outono etc.
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